02/03/18

zadie s


Só li alguns artigos mas já vi algumas centenas de fotografias. Os artigos são desiguais; as fotografias nunca desiludem.

01/03/18

Às vezes digo coisas brilhantes e engraçadas no café, mas ninguém se ri. Talvez sejam só brilhantes.

28/02/18

Lembro-me de ter escrito algures que x (não me lembro) tinha «o ego de Jorge de Sena e o talento de Jorge Reis Sá». Um destes poetas está vivo, o Jorge Reis Sá não sei.

27/02/18

trânsito & permanência

A tentar a arrumar algumas ideias com cigarros. É impressionante a quantidade de ideias estúpidas que se acumulam ao longo dos anos, só velharias. Quero ideias estúpidas novas.

26/02/18

Não há nada fácil que não possa ser tornado difícil, e nem é preciso muita imaginação. Claro que há sempre alguém para nos dizer que há problemas maiores no mundo. Sim, é verdade, mas não é preciso viver no Burundi para ter problemas. Não é preciso ter problemas para ter problemas.

23/02/18

vox populi

Não percebo pessoas que dizem que não lêem os comentários na internet, percebo que não queiram ler, mas não percebo como conseguem não ler. É das coisas mais irritantes e mais divertidas, muito mais divertidas quando são irritantes para alguém.

Tenho usado os comentários para estudar certos grupos da melhor maneira, i.e., sem proximidade. Os grupos de defesa dos direitos dos animais, por exemplo. Numa notícia sobre pesca da baleia há uma grande discussão sobre a melhor maneira de esquartejar um pescador japonês. Curioso. Dizem que os sociopatas odeiam animais, mas vejo muitos casos de sociopatia nesta gente que ama animais.

22/02/18

Julgar as pessoas pela aparência é muitas vezes a única maneira de julgar pessoas; às vezes não se consegue ir além da aparência, outras vezes não vale a pena. 

Num concerto de punk rock, para me abstrair da música, pus-me a julgar a aparência da audiência. Estive alguns minutos a observar gente a tentar ser inglesa a ouvir gente a tentar cantar em inglês. Copiar modas estrangeiras não é nada de novo, mas às vezes parece que o típico português não é de todo português.

21/02/18

coisas que se ouvem

– E gajas?
– São todas mais ou menos feias...
– Não comias nenhuma?
– Todas, mas isso é outra coisa.

20/02/18

não é falhanço, é só uma experiência para...

A manutenção de mentiras inocentes gera sempre mentiras mais graves, logo não há mentiras inocentes. Fiz uma pesquisa de campo de 29 anos para entender: «Não se mente!».

19/02/18

ausência é presença


Ausência é presença (cf. Young Pope). O mistério acrescenta interesse  conquanto não acrescente quase mais nada , porque não perceber inteiramente mas perceber os indícios de um conhecimento velado, que pode sempre ser interpretado a um nível pessoal, gera sempre os melhores resultados interpretativos, porque não há interpretação nenhuma, e o os melhores resultados publicitários, porque não há publicidade nenhuma.

As melhores interpretações ocorrem quando não há interpretação possível.

16/02/18

currículo de jantares

Não sabia que currículo também podia significar atalho e teria encurtado muitos caminhos, se o meu currículo de jantares fosse mais completo.

15/02/18

fornecedores de exotismo



A necessidade de um exotismo citável e facilmente digerível gera muitos génios exóticos; o facto deles não serem génios, nem exóticos não é importante.

14/02/18

uma terça que soube a segundo domingo

Alguém que criticava o País de Gales disse: «(...) lá parece que é domingo todos os dias...». Os domingos e pseudodomingos têm um efeito difícil de exprimir e fácil de sentir.